Conceito do que são commodities: matérias básicas (milho, soja, petróleo…), divididas em hard e soft.

Soft Commodities são os produtos que vem do plantio e colheita, está ligado ao clima, e tem oferta e demanda com nuances.

Hard Commodities são produtos que devem ser extraídos, como petróleo, cobre, minérios…

 

Fundamento do que é o Agronegócio, dividido em 4 fases:

Antes da porteira: insumo, maquinário, fertilizante.

Dentro da porteira: agricultura e agropecuária (os produtores familiares são muito importantes porque muitos dos nossos alimentos só chegam em casa com o trabalho deles).

Pós porteira: Agroindústria (processamento para óleo de soja, leite, frigorífico para cortar carnes etc.)

Última fase: distribuição (supermercado, exportação…)

Importante entender que o agronegócio é um setor unificado. Não existe um setor mais importante que o outro, todos são importantes, para vermos os resultados inclusive no PIB, com aumento de 3.8% no agronegócio em plena pandemia.

Para a produção de commodities e derivativos (soja, milho, cana, açúcar…), existe toda uma comercialização na cadeia. Traduzindo commodities para nossa linguagem, nada mais são que matéria prima, produtos.

O Brasil é referência, um dos países com maior oferta de commodities no meio agrícola. E, geralmente, essas commodities são ligadas à bolsa, exemplo do petróleo, gasolina, etanol… Agora, conseguimos pensar de uma maneira simples o mercado, temos essas ofertas de produtos, como contratos ligados a bolsa, e para negociar o mercado futuro.

Como nasceu o mercado futuro? Qual o objetivo de tê-los na bolsa?

Uma estratégia financeira nasceu em Chicago, em 1948, criando uma câmara de compensação, assegurando o risco da contra parte. Isso nasceu no mercado de Chicago, nos EUA. E, ele é válido no Brasil pois a soja, por exemplo, é um dos produtos que mais exportamos, e é medido em preço internacional, há mais visibilidade para negociação. Contratos até de Barter são negociados em dólar, geralmente.

– Como você enxerga a inclinação dos produtores quanto à forma de financiamento com maior tendência da safra a médio e longo prazo no cenário atual?

Muito incerta, porque há muitos fatores ligados a commodities: o clima, a safra, a produtividade, todo o custo ligado aos fertilizantes dolarizados, o aspecto político e econômico, a diminuição de consumo. Tudo isso afeta a conta produtora, não atingindo o valor na negociação padrão, então após fazer a análise, chegamos à conclusão da incerteza.

– Por que você acha que ainda não exportamos produtos com mais valor agregado, industrializados?

Estamos encaminhando para isso. A exportação de carne bovina, frango e de suíno, por exemplo, que aumentamos em quase 200% se comparado com o mesmo período do ano passado. A China ainda é um país que preza muito pela própria produção. Mas, hoje estamos melhorando, o governo tem feito diversas viagens para a região da Ásia, como Hong Kong que tem comprado nossa carne. Tudo é um trabalho de formiga, e depende muito do poder público e do produtor.

– Com o Brasil figurando como maior produtor de soja mundial, existe a possibilidade de a bolsa brasileira se tornar referência em vez de Chicago, ou ainda temos muito o que desenvolver?

A B3 tem um contrato de soja que tem referência no preço da soja Chicago, é o que chamamos de Cross-listed. O contrato futuro e de opções é de 27 toneladas e eles funcionam como “espelho”. A liquidação financeira é sempre feita refletindo a cotação da soja Chicago, mas convertida em reais. Este contrato foi desenvolvido em parceria entre B3 e CME Group justamente para atender os pequenos e médios produtores rurais, que tenham dificuldade em acessar o mercado externo, mas que precisam fazer uma gestão de risco de preço.

Cortesia: Roberta Paffaro