Se existe hoje um mercado com certezas, esse é o mercado de recuperação de créditos. O problema, no entanto, é que essas certezas não são muito animadoras.  O aumento da inadimplência, a queda das taxas de recuperação e o aumento dos prazos estimados de recuperação são as mais obvias delas no contexto atual.

Ao considerarmos ainda o fato de que o Poder Judiciário, que jamais foi um grande aliado na recuperação de créditos (seja pela morosidade dos procedimentos, pela falta de estrutura, ou, por vezes, por um certo paternalismo de leniência com os devedores) tem recebido uma avalanche de processos de cobrança e  pedidos de recuperação judicial, a certeza de dias difíceis ficam ainda mais evidente.

Ou seja, se a eficiência na recuperação de créditos já não era tarefa fácil, o cenário atual tornou o desafio ainda mais complexo e, consequentemente, passará a exigir ainda mais empenho e resiliência dos credores que, em regra, não tem como foco a recuperação de créditos.

No entanto, analisando a questão sob a ótica do copo meio cheio, a história ensina que os momentos de crise são motivadores de grandes transformações – sendo justamente essa a nossa provocação para reflexão nesse conciso artigo.

Em breve comparação com um momento recente da nossa história, parece haver muitas lições a serem extraídas da crise de 2008, que começou nos Estados Unidos, afetou os mercados financeiros mundiais, agravou o déficit de diversos países e, em 2011, culminou com o auge da crise econômica Europeia, atingindo mais duramente Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha.

Naquele momento, em contrapartida ao socorro oferecido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), exigiu-se das nações socorridas que adotassem planos de ajustes fiscais que incluíram, dentre outras medidas, a venda de bancos estatais e de suas respectivas carteiras de créditos inadimplidos (NPL).

Em resumo, os objetivos por trás da venda de ativos vistas como ilíquidos, ou até mesmo “podres”, correspondiam a geração acelerada de caixa e a eliminação de custos operacionais de gestão e recuperação de créditos que se entendia não deveriam ser a função, ou uma prioridade, do Estado naquele momento.

Naquela ocasião, os desafios de coletar, organizar, estruturar e analisar adequadamente as informações de carteiras de créditos inadimplidos e ativos não essenciais e “empoeirados”, sem dispor de tecnologia e profissionais especializados – e ainda a toque de caixa – acabou sendo uma missão inglória para aquelas instituições pouco preparadas.

O resultado inevitável da combinação de falta de organização das informações, ausência de parâmetros e urgência foi um tsunami de ativos vendidos a uma fração do seu valor para hedge funds e investidores especializados – o que acabou sendo o grande gatilho de transformação do mercado do NPL Europeu.

Por outro lado, os investidores adquirentes dos portifólios, precisavam gerar mais performance e passaram a provocar o desenvolvimento de soluções para o enfrentamento dos desafios de gestão daqueles portifólios, o que promoveu importantes avanços para o mercado de NPL europeu, que, consequentemente, possibilitou o crescimento de um ecossistema de serviços especializados, capazes de fornecer informações cada vez mais consistentes e atualizadas, estratégias melhores, soluções alternativas e tecnologia que possibilitaram aos investidores alcançar seus objetivos e, assim, continuares investido em NPL.

Essa acelera ao do desenvolvimento foi responsável por trazer mais liquidez e equilíbrio ao mercado secundário e atraiu mais investidores dispostos a pagar preços mais justos para ativos melhores, ou simplesmente melhor apresentados, o que também gerou mais recorrência de transações – outro fator importante para tomada de decisões de investimentos de media longo prazo.

Traçando um paralelo entre as duas crises, entendemos ser possível extrair lições bastante valiosas para o momento atual do mercado de recuperação de crédito brasileiro.

Primeiramente, entendemos que a ausência de um dead line e a disponibilidade de soluções, tanto de serviços especializados e de tecnologias, quanto de alternativas de solução para créditos não performados, são algumas vantagens estratégicas do nosso mercado em comparação com o mercado europeu em 2011. Outra vantagem importante que merece destaque nesse momento é a desvalorização do real frente ao dólar, o que barateou consideravelmente os ativos brasileiros.

Porém, para que essas vantagens (tempo X soluções X câmbio) sejam adequadas e tempestivamente aproveitas, é preciso um pouco mais de inconformismo e inquietude com as nossas taxas de performance de recuperação de crédito. Dados do Banco Mundial apontam que o Brasil é um dos países com menor taxa de recuperação do mundo.

NO NOSSO ENTENDIMENTO, PARA QUE O MERCADO SE TRANSFORME E PASSE A GANHAR EFICIENCIA COMPARAVEL A MERCADOS MAIS DESENVOLVIDOS, OS SEUS AGENTES PRECISAM ESTAR DISPOSTOS A QUEBRAR PARADIMAS COMO:

  • Melhorar políticas, práticas e tecnologias de análise de crédito, scoring e inboarding de clientes, com informações mais assertivas e seguras;
  • Adotar critérios de monitoramento constante de credores e clientes, seus comportamentos e atividades, antes do inadimplemento, de forma a criar gatilhos e insights de ações preventivas, além de gerar histórico e base de análise para predições futuras;
  • Ter a consciência de que os departamentos de crédito e os departamentos jurídicos precisam de suporte adequado e especializado (serviços e tecnologia), pois, em regra, não estão equipados e não conseguem dar foco na busca de eficiência necessária na recuperação de créditos;
  • Tratar créditos não performados como uma classe efetiva de ativos e não como meros problemas jurídicos, tanto do ponto de vista de planejamento como de gestão da operação e dos resultados esperados;
  • Fortalecer a governança da informação, para garantir disponibilidade, amplitude e segurança de suas bases (dados, documentos, eventos e agenda), para qualquer que seja a finalidade;
  • Implantar políticas mais pragmáticas e realistas de contabilização e provisionamento de créditos inadimplidos, o que costuma ser um gargalo importante para a implantação de soluções;
  • Apostar em times multidisciplinares, que possam apresentar uma visão mais ampla dos portifólios (economista, advogados, engenheiros, cientistas de dados etc.) e consigam gerar soluções mais especificas para os principais desafios da gestão de portifólios;
  • Realizar a gestão ativa de fornecedores (advogados, avaliadores, fornecedores de dados, empresas de cobrança, investigadores etc.), o que inclui a definição de objetivos de curto, médio e longo prazo (OKRs), desenvolvimento de métricas de acompanhamento contratual (SLA) e de avaliação de qualidade e performance (KPI);
  • Alinhar a remuneração e estímulos dos prestadores de serviços com os objetivos e indicadores previamente definidos;
  • Fomentar a atualização constante das técnicas e tecnologias aplicadas, para se manter na vanguarda e poder entregar performance compatível com a de prestadores de serviços especializados (cujo foco é exatamente a busca por melhores práticas, tecnologias e resultados);
  • Realizar mais processos competitivos para a cessão de portifólios, com objeto de estar inserido, fomentar e fortalecer o mercado secundário.

“INDEPENDENTEMENTE DE CRISES, NUNCA É UMA BOA PRÁTICA SE CONFORMAR COM BAIXA PERFOMANCE OU DEIXAR DE EXPLORAR O MELHOR POTENCIAL DOS ATIVOS DE UM NEGÓCIO.”

Com a quebra desses paradigmas, os credores passariam a ter mais assertividade e pragmatismo na definição e implementação de estratégias, o que traria múltiplos benefícios, como redução das taxas de inadimplência, (judicial ou extrajudicialmente) e acesso a alternativas de liquidação ou cessão de ativos com baixa expectativa de recuperação. Afinal de contas, independentemente de crises, nunca é uma boa prática se conformar com baixa performance ou deixar de explorar o melhor potencial dos ativos de um negócio.

Combinar com a experiencia e inovação na busca de soluções, em qualquer que seja a atividade, é sempre transformador. E é justamente essa a inspiração e motivação da NPL Brasil, para ser reconhecida como a melhor e mais eficiente parceira na implementação de soluções para o mercado de recuperação.

DIGA SIM PARA UM NOVO JEITO DE EXERGAR SEU PORTIFÓLIO.

Cortesia: NPL Brasil