OS DESAFIOS DA OPERAÇÃO DE CRÉDITO EM TEMPOS DE COVID-19 E ISOLAMENTO SOCIAL

Em tempos de COVID19, vários desafios estão sendo enfrentados por diversas empresas, também no agronegócio. Alguns desses desafios são de ordem prática, para superar limitações de presença física de stakeholders – sejam eles colaboradores, clientes, fornecedores, e etc.), e instituir trabalho home office, o que pode acarretar uma perda de performance que gira em torno de 20 a 30%.

Ninguém estava preparado para um cenário como o atual, mas uma mudança de interação está acontecendo no mundo, própria de uma transformação positiva gerada pela crise, que poderá resultar em uma maior flexibilização dos cartórios em  registrar documentação, recebendo até CPRs com assinatura digital.

Devido à grande responsabilidade da Agrometrika em ser uma plataforma bastante grande em termos de valor e dados de terceiros operados, a equipe vem desenvolvendo soluções específicas para se adequar à LGPD. Os projetos e avanços desenvolvidos geraram a certificação ISO 27001 para a empresa. Certificação essa que envolve protocolos de segurança, alteração de hardware, software, contratos, e até requisitos como plano de contingência para acidentes.

Uma evolução na gestão remota e projeto de reestruturação das empresas para operação home office está sendo vista como necessária por muitos. Empresas médias, e até de menor porte, estão mudando seus comportamentos, ampliando a automação de processos em ambiente remoto, reduzindo a necessidade do trabalho presencial.

Como presidente da câmara de crédito do MAPA, Pimentel e membros estão liderando conversas com entidades para acelerar o movimento de registros eletrônicos, convidando o colégio de cartório nacional para fazer parte da câmara de crédito e desenvolver projetos para digitalização, minutas padronizadas para cédulas e contratos para uma maior adesão de registros via processos eletrônicos.

A câmara de crédito tem sido bastante requisitada pelo alto escalão do Ministério da Agricultura – MAPA por conta do mapeamento do risco semanal, e estão sendo muito consultados por nomes do governo que avaliam os problemas derivados da crise no âmbito do MAPA.

O Agronegócio deve sofrer menos do que outros setores com a crise – com a exceção de algumas áreas específicas (hortifruti, flores, plantas ornamentais, Açúcar e Etanos, Biodiesel e borracha, por exemplo) que já sentem com o impacto das mudanças no ambiente de negócios. Possivelmente, não haverá problemas com o setor de soja, milho e carnes, devido às compras do mercado chinês, África e Oriente Médio.

Sobre a antiga MP do Agro, sancionada em 7 de abril, em plena pandemia, a câmara participou e discutiu sobre as expectativas sobre CRA em dólar, e casos de fundo solidário em crédito. Mas, com a pandemia e o distanciamento social alguns entraves estão sendo vistos, já que muita interação de diversos agentes é necessária, e em tempos de home office, isso está sendo prejudicado.

O MAPA tem a intenção de migrar gradualmente o modelo de crédito rural para uma estrutura de mercado de capitais e seguro rural, dentro dos próximos 3 anos. Porém, a pandemia tem retardado esse processo, fazendo com que o modelo antigo seja aplicado neste momento, um pouco mais do que o previsto, adiando um pouco os planos de migração do modelo de crédito Agro para uma maior liderança privada.

Sobre o crédito, devido aos grandes investimentos do governo, com diversos auxílios e medidas, para tentar segurar a economia e o impacto social neste momento, não haverá recursos no montante necessário para “salvar” todas as cadeias de negócios, mas tem perspectivas boas de uma ampliação de valores para seguro e subvenção. Já os bancos, estão em modo de segurança, mas terão que abrir as comportas em algum momento. A questão é que o grau de asfixia de algumas cadeias do Agro, não permite uma espera longa.

Por fim, após esse momento de crise, espera-se uma mudança considerável em relação à evolução gerencial das empresas, órgãos do governo, cartórios, e dos profissionais envolvidos com o agro em geral, principalmente no que tange ao uso de ferramentas digitais para maior celeridade das atividades do agro. Momentos de crise sempre trazem oportunidade para a transformação!

Crédito: Fernando Pimentel