Neste artigo, você encontrará argumentos sobre como implementar práticas, que muitas vezes, para o mercado do agro podem parecer tão complicadas e inacessíveis no dia a dia. E, como elas podem ser eficazes para o acesso ao crédito de maneira mais rápida e equipada.

Para contextualizar o crédito no agro, percebe-se o quanto é importante ter um sistema saudável, de modo geral sem tirar ou direcionar para o agro, o mercado de crédito brasileiro está concentrado em 5 ou 6 grandes. Há estudos que dizem que a cada R$10 emprestados no país, R$7 vêm desse grande grupo. É constatado que esses valores ficam na mão de poucos, então participação da cadeia como um todo é muito importante: tradings, indústrias, revendas. Para o processo de levar o dinheiro para começar lá, porque o agro vai dar origem até a outra ponta, de vários elos e vários seguimentos. Vai do produtor rural até a fase final do navio, descarregando em um porto lá fora, ou a soja sendo processada em uma indústria, é preciso que saibamos e tenhamos conhecimento que são essas empresas que estão no agro, que são muito responsáveis pelo crédito e pelo alcance do crédito.

A pandemia chegou justamente quando se estava prestes a colher a maior safra de soja no Brasil e, naquele momento, quanto maior o risco no mercado internacional, maiores quedas nas bolsas, e incertezas na economia, mais caro fica a concessão e operações crédito. No início da transmissão pelo covid19, em março e abril, tivemos um momento de estrangulamento de crédito. Empresas que iriam ceder o crédito precisaram ser ainda mais criteriosas, ao passo que as empresas que tomariam o crédito tiveram um acesso mais tranquilo. Isso aconteceu porque essas empresas fizeram o serviço de casa certo e estão mais estruturadas, com suas regras de check cumpridas, dentro de todo um sistema lógico. Quando se percebe que o mercado está profissionalizado em uma empresa é mais fácil fornecer o crédito.

– Você como consultora o que informa para as pessoas, como fazer uma boa gestão?

A ideia de que a empresa tem que ter uma só área de gestão, um só setor, já está ultrapassada. Cada vez mais o agro brasileiro tem se mostrado mais fantástico e dinâmico, e cada vez mais a gente percebe que quanto mais se integrar e pluralizar as empresas e trazer gestões e comunicações integrativas com os gestores, a empresa se torna mais eficiente

Pode-se falar de uma gestão que está intimamente relacionada ao crédito, que é a prática simples de head, que é uma operação que acaba mitigando riscos de volatilidade de preço, mas assim muitas vezes se não precisa montar uma operação usando bolsa para resolver, basta trabalhar uma redução de riscos, somente embasada na gestão comercial. Os setores tem que trabalhar juntos, não adianta o setor comercial de produtores, estar com um trabalho bem feito e um outro setor estar deixando a desejar. Não adianta a revenda fazer uma excelente venda, de barter, que contente todos os pilares, se ela acabou pecando na parte documental. Esses exemplos evidenciam os prejuízos causados na cadeia. É dinheiro que saiu do bolso de alguém e vai para o bolso de outro alguém, é preciso ser muito cauteloso quanto a isso.

Dentro das práticas, o próprio head e o departamento comercial, precisam saber o que compraram o que venderam, os níveis de preços, saber as melhores coberturas se é momento de investir na bolsa ou no mercado físico, mas também não é só isso, é necessário toda uma dinâmica de estar sempre orientado. Investir em um consultaria é muito importante, porque olhar a economia é fácil, mas olhar os resultados é mais difícil. Tomar uma determinada atitude pelo fato de que ela está dando certo para algumas empresas não significa que funcionará. Quando se trata de agro, trata-se de milhões de toneladas e muito dinheiro. Então cabe as pessoas que dirigem as grandes empresas do nosso país e que fomentam o crédito serem mais audaciosas no sentido de estar sempre cuidando daquele mercado no crédito.

Cada vez mais, daqui por diante, a pandemia veio para mostrar a superação de desafios, e as empresas precisam investir, cada vez mais, em conhecimento e prática de ações que gerem um crédito no agro mais saudável. Quando uma empresa se propõe a fomentar dinheiro, ela precisa saber se a casa que ela está investindo é saudável, e uma maneira dela saber é justamente que ela ofereça essas ações.

O agro brasileiro está em um momento de grande bonança, estamos embarcando desde fevereiro e março de 2018 em uma guerra comercial. Não é possível vislumbrar o fim dessa guerra tão cedo, porque nenhum acordo fase 1 foi implementado, assim, acredita-se que China e USA sigam em uma fase próxima de reestabelecer relações, o que oportuniza várias situações para o Brasil. Certamente oportunidades de produção, então tudo dependerá também da situação do crédito pois, tudo está interligado.

– Sobre a educação financeira é algo que a gente tem ouvido muito do mercado, para que as empresas que emprestam o crédito, tenha mais iniciativa financeira para quem concede o crédito, qual o teu ponto de vista sobre isso?

A educação financeira para fomentar a concessão de crédito no setor deveria ser uma das grandes prioridades por parte dos credores. É uma responsabilidade que recai sobre essas empresas em relação a onde elas vão colocar dinheiro. É necessário entender-se sobre a análise de risco. Um dos resultados da falta de investimento em educação financeira são as muitas diferenças de juros e crédito. O dever dessas empresas é crescente, a responsabilidade é investir em ações sim, e investir no seu público! Atualmente as empresas não querem mais brindes como pescarias no pantanal, mas sim cursos para os seus colaboradores se capacitarem. Isso é perceptível já a algum tempo na cultura estrangeira e sabe-se que essa é a prática de mercado lá fora. A participação dessas multinacionais no mercado faz com que ele cresça e siga, então é importante que as empresas invistam em seus pontos fracos.

O Brasil entrará para uma próxima janela de plantio em setembro, e grande parte dos insumos que vão ser aplicados, já tinham sido negociados a maioria em barter. Incrivelmente teve-se um outubro aquecido para operações, com preço de produtos baixos, muita coisa rodou, a carga que se tem de dinheiro que está girando nessa esfera virtual e que valorizará apenas em 2021, é altíssima! É necessário imaginar isso, por mais que se pense que o mercado está escasso de crédito e excedente de produto, tem-se um custo para empresas que venderam insumos e já estão entregando. Otimizando essas questões de logística e adubo é possível adquirir um outro olhar,  para o credito, com o dinheiro voando, e que só volta para o bolso em março de 2021.

– Nós estamos em um momento bom? Mesmo com o dólar nessa altura?

Atualmente, tem-se observado muitos negócios onde o Brasil vendeu muita soja a um valor altíssimo em relação a última safra e dessa, já exportou 60 milhões de toneladas, safra de 21.3 onde vai se exportar 80. Então tem-se muita soja sendo comercializada de origem brasileira, vulgo os produtores, venderam bastante. Outro ponto interessante e que chama muita atenção é que a nossa safra não foi maior, por conta da queda do Rio Grande do Sul, onde houve um prejuízo muito grande e um impacto no crédito. A safra futura brasileira já está muito comercializada, então ela não permite qualquer possibilidade de crédito. Acredita-se que pelo menos uns 40% dessa safra deva estar sendo comercializada, os produtos têm aproveitado os bons preços, estão valorizando! Mas safra futura está muito comercializada com necessidade de se materializar e se tornar uma safra cheia.

Artigo tirado da #CONACREDILive com Andréa Cordeiro.